Nº101 29-03-2015

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Nº101 - 29-03-2015

NA BARCA DA FÉ

 

O SILÊNCIO DE JESUS

A narração da Paixão feita por S. Marcos apresenta-nos Jesus sempre em silêncio. Às autoridades religiosas que Lhe perguntam se Ele é o Messias e a Pilatos que quer saber se é rei, Ele diz simplesmente: “Sim, sou!” (Mc 14, 62; 15, 2). E mais nada.

Durante o processo, da Sua boca não sai uma única palavra. Perante os insultos, as provocações, as mentiras, Ele cala-se e nada responde (Mc 14, 61; 15, 4-5). Sabe que quem O quer condenar está bem consciente da Sua inocência; Jesus está consciente de que os Seus inimigos já tinham decidido a Sua condenação, pelo que não vale a pena descer ao nível deles aceitando uma discussão que nada mudaria.

Há um silêncio que é sinal de fraqueza e falta de coragem; é o silêncio de quem, por exemplo, não intervém para denunciar injustiças por medo de se meter em sarilhos ou de hostilizar qualquer pessoa poderosa. E há, ao contrário, um silêncio que é sinal de força de alma; é o daquele que não aceita provocações, o de quem não perde a compostura perante a arrogância, o insulto, a calúnia. Jesus não reage e assim testemunha não só a sua segurança de que está do lado da verdade, mas também a certeza de que a causa justa por Ele defendida acabará por triunfar.

Há situações na nossa vida em que não vale a pena responder. O cristão não é um velhaco que se resigna, que não quer lutar contra o mal, mas sim alguém que procura chegar à verdade servindo-se de todos os meios lícitos. Mas é também alguém que, como o Mestre, tem a força de se calar, recusando-se a utilizar os meios desleais a que recorrem os seus adversários: a calúnia, a mentira, a violência. Não tem medo da derrota, não se preocupa com a vitória dos seus inimigos porque sabe que se trata dum triunfo efémero.

O vosso Pároco,

Padre Mário Faria Silva



VIVER A PALAVRA - Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor – Ano B

Marcos 11, 1-10 (procissão)

Isaías 50,4-7; Salmo 22(21); Filipenses 2,6-11; Marcos 14,1-72.15,1-47.

Este Domingo que se segue ao tempo da Quaresma, comummente conhecido como Domingo de Ramos, abre portas à Semana Maior de todas as semanas. Todavia, não celebramos apenas os “Ramos”, mas também a Paixão do Senhor. É por isso um dia que parece contraditório, como as leituras que nos são oferecidas em dois momentos distintos.

Na procissão que celebra a entrada messiânica de Jesus em Jerusalém, temos uma palavra de exultação e de alegria. Fazemos festa porque Deus enviou o Rei de Israel ao seu povo: Hossana! Bendito seja o que vem em nome do Senhor!

Os corações dos que O recebem estão inflamados de alegria, saem às ruas para louvar o Filho de Deus.

No entanto, bem depressa as leituras mudam de registo. Na eucaristia, na liturgia da palavra, ao invés de um Rei, Isaías fala-nos de alguém a quem são inflingidos castigos, que não tem quem o defenda, mas que também não se rebela contra os que o atacam.

Temos a imagem do Servo, não do Senhor do Universo.

Na mesma linha seguem o Salmo e São Paulo. O Evangelho transporta-nos, de um golpe, para a Paixão de Cristo, em que já não vislumbramos a multidão em festa, mas o povo em convulsão que quer que soltem, pela Páscoa, um preso famoso, Barrabás, e que pede que Jesus seja crucificado.

Independentemente da análise histórica sobre quem esteve presente, na realidade, numa e noutra ocasião, e da respectiva responsabilidade individual, o facto é que há uma mudança radical na atitude perante Jesus.

Esta palavra faz-me pensar como por vezes é fácil entusiasmar-me com os sinais da presença de Deus. Com aquela palavra ou cântico que aquecem o coração ou que fazem cócegas na alma, mas que de repente cedem ou arrefecem perante as contrariedades, os cansaços, a timidez ou a vontade de fazer o que me apetece, sem cuidar de saber se é também a vontade de Deus.

Impressiona-me ainda este “caminho de descida” que Jesus fez: Cristo Jesus, queera de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens.

Como disse um autor, que desconheço sequer se era cristão, "se deres tudo, menos a vida, fica certo de que não deste nada" (*).

E, no entanto, às vezes é tão difícil “largar” a minha vida!

Porque como ouvimos no Evangelho do Domingo passado quem ama a sua vida,perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna (Jo 12, 25).

(*) Henrik Ibsen (1828-1906) 

Filipa Aguiar Ferreira



A misericórdia é uma carícia de Deus sobre os nossos pecados

Entramos na última semana da Quaresma, o tempo de preparação para as Solenidades Pascais! Uma semana propícia para um encontro “tu a tu” com Deus, nos Sacramentos da Confissão e da Comunhão.

Entre os muitos documentos que vou meditando/rezando, encontrei uma mensagem do Papa Francisco que partilho convosco: “A misericórdia é umacarícia de Deus sobre os nossos pecados! … A misericórdia actua na vida de umapessoa colocando de parte o pecado.

É como se fosse o Céu! Nós olhamos para o Céu e vemos tantas estrelas! Mas, quando vem o sol da manhã, as estrelas não se vêem! Assim é a misericórdia de Deus: Uma grande luz de amor e de ternura! Deus perdoa não com um decreto, mas com uma carícia. Deus perdoa, acariciando as nossas feridas do pecado, porque Ele está envolvido no nosso perdão e na nossa salvação. … É grande a misericórdia de Deus, é grande a misericórdia de Jesus. Perdoa acariciando-nos”.

Hoje, Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, a Igreja inicia a Semana Santa, uma semana em que celebramos os mistérios da salvação realizados por Jesus: A Sua entrada messiânica em Jerusalém; A instituição da Eucaristia e do Sacerdócio; A Sua Paixão; A Sua Gloriosa Ressurreição.

Iniciamos esta semana com a Solene Procissão dos Ramos, comemorando o triunfo Real de Cristo, imitando as aclamações das crianças hebraicas: “Hossana!Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Jo 12, 13). Recordamos Jesus, segundoa profecia de Zacarias, sentado num jumentinho, a entrar em Jerusalém.

Recordamos o entusiasmo das pessoas que “explode” em aplausos, cantando: “Hossana! Bendito seja o Rei que vem em nome do Senhor!”. (Cfr. Lc 19, 28-40).Jesus é reconhecido, é proclamado Messias, é aclamado como o Cristo!

E hoje? … E nós?

Paulo VI ajuda-nos a encontrar uma resposta deixando, para nossa reflexão, algumas perguntas: “Estamos aqui, com as palmas na mão, com o ramoprimaveril de oliveira na mão, prontos a agitá-los, em gesto festivo, pretendendo significar a nossa adesão a Jesus? Compreendemos a verdade, a beleza, a força da Fé, que Cristo oferece a cada um de nós, à humanidade, à sociedade a que pertencemos? Somos verdadeiramente pessoas que agitam a oliveira da paz e da justiça? Reconhecemos que Jesus é o nosso Salvador e prometemos ser-Lhe fiéis?

Que o nosso agitar as palmas e os ramos de oliveira signifique: Viva Jesus! Viva o

Senhor!” (Cfr. Paulo VI, Homilia do Domingo de Ramos na Paixão do Senhor,3 de Abril de 1977).

Diácono Carlos M. Borges



VIDA PAROQUIAL

1.    Horários das Celebrações da Semana Santa e da Páscoa Quinta-Feira Santa – Missa Crismal

Missa na Sé Patriarcal, presidida pelo Senhor Cardeal Patriarca – 10:00 horas Transporte –Estará disponível uma carrinha do Centro Social e Paroquial.

Quinta-Feira Santa – Missa Vespertina da Ceia do Senhor

Missa na Igreja Paroquial – 21:00 horas.

Partida do Autocarro

20:00 horas – Leceia  ;  20:10 horas – Tercena

20:20 horas – Queluz de Baixo  ;  20:30 horas – Valejas

Sexta-Feira Santa – Celebração da Paixão do Senhor

Oração de Laudes na Igreja Paroquial – 10:00 horas

Celebração da Paixão do Senhor na Igreja Paroquial – 15:00 horas.

Partida do Autocarro

14:00 horas – Leceia  ;  14:10 horas – Tercena

14:20 horas – Queluz de Baixo  ;  14:30 horas – Valejas

Sábado Santo

Oração de Laudes na Igreja Paroquial – 10:00 horas Vigília Pascal na Igreja Paroquial – 22:00 horas.

Partida do Autocarro

21:00 horas – Leceia  ;  21:10 horas – Tercena

21:20 horas – Queluz de Baixo  ;  21:30 horas - Valejas

Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor

Horário das Missas: Tercena – 10:30 horas; Valejas – 10:30 horas Barcarena – 12:00 horas; Queluz de Baixo – 18:00 horas.

Em Leceia, dado que o Senhor Padre Celestino não está disponível, em princípio não haverá Missa.

2.    Férias do Pároco

Entre os dias 6 e 10 de Abril (inclusive), o Pároco estará de férias. Qualquerassunto da vida corrente da Paróquia deverá ser tratado com o Diácono Carlos M. Borges (Telemóvel: 915954191 ; mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ).

Contudo, no dia 8 de Abril, o Pároco virá à Paróquia a fim de presidir à Missa de trigésimo dia do falecimento do Senhor Padre António Aguiar – Igreja Paroquial, às 19:00 horas.

3.    Tarde do Sim

No dia 18 de Abril (Sábado), com início às 14:00 horas, a Catequese de toda a Paróquia vai viver uma tarde diferente: “A Tarde do Sim!”. Esta actividade decorrerá nas instalações da “International School” –Escola Internacional, emBarcarena. É uma actividade que pretende também envolver os Pais e familiares.Todos estão convidados a participar. 


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