Nº48 - 26-01-2014

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Nº48 - 26-01-2014

NA BARCA DA FÉ

 

QUANTO DURARÁ A NOITE?

A seguir ao baptismo no Jordão, Jesus retira-se para o deserto da Judeia, onde reza, jejua e enfrenta as tentações do demónio. Depois, regressa à sua terra, a Galileia. Não se demora em Nazaré e vai morar em Cafarnaum, na margem noroeste do “mar” da Galileia (o lago de Genesaré, que tem 40 km de comprimento e 20 de largura). Cafarnaum é uma vila de pescadores e agricultores. Como está perto do fronteira e passa por ela “o caminho do mar”, a estrada que do Egipto conduz à Mesopotâmia, tem uma alfândega, onde trabalham publicanos.

A mudança de residência, facto por si só bastante banal, foi lida por S. Mateus no seu significado teológico, como cumprimento da profecia de Isaías: “O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou.” (Mt 4, 16) Com o início da actividade pública de Jesus, entre os montes da Galileia brilhou a aurora de um novo dia, apareceu a luz de que falava o profeta.

O ser humano teme a escuridão da noite e tranquiliza-se quando vislumbra os primeiros sinais do amanhecer. As sentinelas perscrutam o horizonte, esperando a aurora (Sal 130, 6); longas são as noites de quem, a arder de febre, fica angustiado pelos pesadelos e cansado de dar voltas até ao amanhecer (Job 7, 3-4).

Aguarda também um raio de luz quem caiu nas trevas do vício, da mentira, da injustiça; aguarda uma luz que lhe anuncie o fim de uma noite dolorosa e o início de um novo dia.

Sentinela, que vês na noite?” – pergunta o profeta (Is 21, 11). Quanto durará ainda no mundo a escuridão do mal e do pecado? Quando seremos “libertados do poder das trevas” (Col 1, 13)?

O conflito luz-trevas continua, aguardando o dia sem fim, quando “não mais haverá noite, nem terão necessidade da luz da lâmpada, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus irradiará sobre eles a sua luz” (Apoc 22, 5).

Padre Mário Faria Silva



VIVER A PALAVRA - III Domingo do Tempo Comum

Is 8,23b-9,3; Salmo 26 (27); 1 Cor 1,10-13.17;  Mt 4,12-23

Este Domingo as leituras fazem presente no meu espírito duas palavras: luz e união. O povo Judeu ainda anseia pela luz prometida, por Deus, através da boca do profeta Isaías “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para os que habitavam na terra da escuridão uma luz começou a brilhar.”(Is 9,1). Os Cristãos acreditam que esta promessa já se cumpriu em Jesus Cristo “… o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha aos ombros e o bastão do seu opressor foram quebrados por Vós, como no dia de Madiã.” (Is 9,3). O povo Judeu e a Igreja católica são, para mim, dois símbolos concretos do efeito da luz de Deus sobre os homens. O sinal de união que estes dois símbolos transmitem ao mundo é mais que evidente: não existe nenhum povo tão antigo como o povo Judeu, apesar das perseguições que o mundo ciclicamente lhe move. A Igreja católica, não obstante os ataques constantes do mundo e das crises, que o povo Cristão tem sofrido, tem-se mantido como um sinal de união que continua a tocar, de forma muito especial, os homens. Impressiona-me sempre a quantidade de famílias que se aproximam da nossa Paróquia para pedir o baptismo da Igreja. As razões desta aproximação são as mais díspares e, às vezes desconcertantes, mas o que é facto é que existem dezenas de famílias, que todos os anos abandonam (mesmo que momentaneamente) as suas rotinas para se deslocarem à Paróquia de São Pedro de Barcarena pedir o Baptismo. A mesma experiência repete-se em todas as paróquias da diocese.

Apesar de a Igreja ser, para mim, um sinal de união para mundo, sei perfeitamente que, no seu interior, existem discussões acaloradas. Estas acompanham a Igreja desde o seu início, tal como São Paulo relata “…fui informado,…, a vosso respeito meus irmãos, de que existem contendas entre vós. Falo assim, pois cada um de vós diz: <<Eu sou de Paulo>>, <<e eu, de Apolo>>, <<e eu, de Pedro>>,<<e eu, de Cristo>>, Estará Cristo dividido? Foi Paulo que foi crucificado por vosso amor?” (1Co 1,11-13).

Deus tem como objectivo mudar a minha natureza através da Igreja. O Papa Francisco pede-me na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium para que “”…  se esforcem por usar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento, não nos serve uma «simples administração». Constituamo-nos em «estado permanente de missão», em todas as regiões da Terra.”. Esta exortação não é mais que a repetição das palavras de Jesus relatadas no Evangelho “Disse-lhes Jesus: << Vinde e segui-Me, e farei de vós pescadores de homens.>>”(Mt 4,19). Frente à radicalidade do desafio do Papa Francisco que me tira todas as minhas seguranças, é natural que o meu homem velho grite, refile e argumente em favor de um descanso merecido. Por isso não me surpreende que os meus irmãos na fé (actuais e passados) tenham a mesma reacção.

Paulo Chambel Leitão



Evangelii Gaudium – A Alegria do Evangelho

A Exortação Apostólica do Papa Francisco, Evangelii Gaudium - A Alegria do Evangelho, é um dom à Igreja e aos cristãos.

Mais uma vez, o Papa surpreende-nos com um documento, onde indica as linhas essenciais do seu pontificado.

Aquelas duas palavras são as palavras com que começa a Exortação: A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Aqueles que se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria”. (Evangelii Gaudium, Nº 1) “O grande perigo do mundo actual, com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada”. (Evangelii Gaudium, Nº 2) “Este, segundo o Papa, é um risco que correm também os crentes … transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida”. (Evangelii Gaudium, Nº 2) Mas, quando alguém dá um pequeno passo em direcção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada”. (Evangelii Gaudium, Nº 3)

No Nº 23, o Papa provoca os crentes a ser uma Igreja que olha para fora, uma “Igreja  que saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo. A alegria do Evangelho é para todo o povo, não se pode excluir ninguém”.

E logo a seguir indica os verbos desta Igreja do anúncio e do encontro: “Primeirear (tomar a iniciativa), envolver-se, acompanhar, frutificar e festejar”. (Evangelii Gaudium, Nº 24)

São todos verbos que indicam movimento. “Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo”. (Evangelii Gaudium, Nº 24)

Em toda a Exortação Apostólica, o Papa não fala de princípios e doutrinas, fala com as palavras simples da Sagrada Escritura, que são palavras de misericórdia, de conversão e de perdão.

Diácono Carlos Manuel Borges



VIDA PAROQUIAL

1.    Noite de Oração orientada pelo Grupo de Jovens

No próximo Sábado, dia 1 de Fevereiro, às 21:00 horas, o Grupo de Jovens da nossa Paróquia orientará, na Capela de S. Sebastião, uma Noite de Oração.

Toda a Comunidade Paroquial está convidada a participar.

 

2.    Curso de Formação Litúrgica

O Secretariado Permanente do Conselho Pastoral programou um Curso de Formação Litúrgica a funcionar na nossa Paróquia.

Este Curso destina-se, sobretudo, a Leitores, Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão, Zeladores, Conselho Pastoral Paroquial, Catequistas, estando também aberto a outros Cristãos empenhados e que nele queiram participar.

O Curso terá 4 Sessões (1 Sábado por mês, das 14:00 às 18:30 horas, durante quatro meses).

A 1ª Sessão, “Festa da Liturgia”, será no próximo dia 22 de Fevereiro.

O Curso é gratuito.

As inscrições devem ser feitas, até ao dia 8 de Fevereiro, no Cartório Paroquial, dentro do seu horário normal de funcionamento, ou por mail ( Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ).

O número de inscrições é limitado.

Nos placards de Avisos pode ser consultada informação adicional.

 

3.    Peditório a favor da Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau

Nas Missas Vespertinas e Dominicais do próximo fim-de-semana, dias 1 e 2 de Fevereiro, durante o momento de Acção de Graças, iremos proceder à recolha de um ofertório (extra) que se destina a ajudar a Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau.

Raoul Follereau foi o fundador do Dia Mundial dos Leprosos.

 

4.    24ª Peregrinação dos Missionários da Consolata a Fátima

No próximo dia 15 de Fevereiro vai realizar-se a 24ª Peregrinação dos Missionários da Consolata a Fátima.

Em Queluz de Baixo e Tercena estão a ser organizados autocarros. Se desejar participar nesta peregrinação contacte, por favor, os Zeladores de Queluz de Baixo ou Tercena.

O preço do autocarro é de 10 € e, caso pretenda almoçar, o custo é de 7,5 €. O pagamento deverá ser feito na altura da inscrição.

A partida dos autocarros será às 7:30 horas, nos locais habituais.


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