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III DOMINGO DA PÁSCOA

A Igreja continua a meditar na Ressurreição do Senhor. Há duas maneiras de apresentar Jesus Cristo e a sua história. Uma delas parte da contemplação de Deus – Pai, Filho e Espírito Santo – e narra como o Pai enviou à Terra o Filho, que se fez homem no seio da Virgem Maria, morreu na cruz, ressuscitou e regressou ao Céu. Fazem assim as epístolas aos Efésios e aos Colossenses e o prólogo do Evangelho de S. João, textos relativamente tardios. A outra maneira é a dos três Evangelhos Sinópticos: começam por descrever a vida de Jesus na Terra, a doutrina que pregou e os milagres que fez, a sua morte e a sua ressurreição, para finalmente nos fazerem adivinhar que Ele não é um simples homem, é a presença, é a presença na Terra do Verbo de Deus.

O Evangelho do 3º Domingo narra o célebre episódio dos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35). Tristes, derrotados, embora não revoltados, afastavam-se de Jerusalém, porventura de regresso às ocupações anteriores. Mas, quase sem querer, iam recordando tudo o que sucedera naqueles dias. E eis que um desconhecido, que segue o mesmo caminho, se aproxima e mete conversa. Porque estão tristes? Informado, censura-os com dureza: Não entendem o que estava escrito! “Depois, partindo de Moisés e passando pelos profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito.” Eles começaram obscuramente a entrar na esperança. Convidam o desconhecido para jantar e ficar com eles – porque estão interessados na conversa e porque não querem abandoná-Lo, de noite, na estrada. Sentado com eles à mesa, “tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho.” Nesse momento O reconhecem: é o Senhor, vivo! O Senhor voltou a desaparecer da sua presença. Mas eles imediatamente se põem a caminho para dar a notícia aos irmãos.

O Livro dos Actos dos Apóstolos não explica, limita-se a registar, que o Senhor ressuscitado é o mesmo, mas doravante só se deixa reconhecer na fé. A fé é preparada pela procura sincera, pela mediação da Escritura, pela caridade fraterna, pela oração, e vai culminar na Eucaristia. Àquele a quem foi dado estar na fé pode ser dado ou não ver o Senhor com os olhos da carne. Pouco importa, sabe que Ele está para sempre consigo.

Padre Mário Faria Silva


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